Predestinação

De todas as doutrinas da fé cristã, com certeza uma das mais intrigantes e menos compreendidas é a da predestinação. Para muitos, ela parece obscura e até bizarra. Para outros, parece uma investigação desnecessária sobre algo que excede a capacidade da compreensão humana. Entende-se que tal minúcia teológica possui pouco ou nenhum significado prático. Mas uma vez que a revelação bíblica a menciona, o cristão não tem opção, a não ser indagar seu significado. O fato de ser uma doutrina difícil e obscura não nos exime da necessidade de estudá-la em profundidade e refletir sobre ela a fim de determinar a verdade nela contida.

É necessário definir com precisão o significado do termo predestinação. Embora alguns o usem de forma intercambiável como “preordenação” e “eleição”, para nossos propósitos aqui “predestinação” é um ponto intermediário em especificidade entre “preordenação” e “eleição”. “Preordenação” , conforme se vê na Figura abaixo, é o termo mais abrangente, denotando a vontade de DEUS com respeito a tudo o que ocorre, seja o destino de cada indivíduo humano, seja a queda de uma pedra. “Predestinação” refere-se à escolha divina de indivíduos para a vida eterna ou para a morte eterna. “Eleição” é a seleção de alguns para a vida eterna, o lado positivo da predestinação; “reprovação” é o
lado negativo.

Figura: A terminologia da predestinação

Concepções diferentes de predestinação

O calvinismo
Embora a doutrina da predestinação tenha sido desenvolvido por vários teólogos desde Agostinho até Karl Barth, as formulações contratantes de João Calvino e Jacó Armínio são as que abordam com maior clareza suas questões básicas. O que se designa por calvinismo tem assumido muitas formas ao longo dos anos. Examinaremos aqui certos aspectos comuns encontrados em todas elas. Um auxílio mnemônico em inglês, às vezes usado para resumir o sistema como um todo, é o acrônimo TULIP: Total depravity, Unconditional predestination, Limited atonement, Irresistible grace e Perseverance (depravação total, predestinação incondicional, expiação limitada, graça irresistível e perseverança). Embora haja interpretações levemente variadas dessas expressões e nem todos esses conceitos sejam essenciais para nossas considerações presentes, vamos adotá-las como base para nossa análise da concepção calvinista da predestinação.

Os calvinistas entendem que toda raça humana está perdida no pecado. Eles destacam o conceito de depravação total: todo indivíduo é tão pecador que é incapaz de responder a qualquer oferta de graça. Essa condição, que merecemos plenamente, implica corrupção moral (e, portanto, incapacidade moral) e também possibilidade ao julgamento (culpa). Todas as pessoas começam a vida nessa condição. Por esse motivo, é chamado “pecado original”. Ás vezes, a expressão “incapacidade total” é usada para descrever a condição humana. Essa terminologia salienta que os pecadores perderam a capacidade de fazer o bem e são incapazes de se converter. Numerosas passagens indicam tanto a universalidade quanto a seriedade dessa condição (e.g., Jo 6.44; Rm 3.1-23; 2Co 4.3,4 e, especialmente, Ef 2.1-3).

O segundo conceito importante do calvinismo é a soberania de DEUS. Ele é o Criador e o Senhor de todas as coisas e, por conseguinte, é livre para fazer tudo o que deseja. Ele não está sujeito nem deve explicações a ninguém. Os homens não estão em posição de julgar a DEUS por aquilo que ele faz. Uma das passagens citadas com freqüência nessa discussão é a parábola dos trabalhadores na vinha. Os que foram contratados na undécima hora receberam o mesmo pagamento prometido aos contratados no início do dia. Quando os que foram contratados mais cedo reclamaram da aparente injustiça, o senhor respondeu a um deles: “Amigo, não te faço injustiça; não combinaste comigo um denário? Toma o que é teu e vai-te; pois quero dar a este último tanto quanto a ti. Porventura, não me é lícito fazer o que quero do que é meu? Ou são maus os teus olhos porque eu sou bom? (Mt. 20.13-15). Outra passagem significativa é a metáfora de Paulo sobre o oleiro e o barro. Para o indivíduo que reclama da injustiça de DEUS, Paulo responde: “Quem és tu, ó homem, para discutires com DEUS?! Porventura, pode o objeto perguntar a quem o fez: Porque me fizeste assim? Ou não tem o oleiro direito sobre a massa, para do mesmo barro fazer um vaso novo para honra e outro, para desonra?” (Rm. 20,21). Esse conceito de soberania divina, juntamente com a incapacidade humana, é básico para a doutrina calvinista da eleição.

A Eleição, de acordo com o calvinismo, é a escolha que DEUS faz de certas pessoas para seu favor especial. Isso pode dizer respeito à escolha de Israel como povo da aliança especial de DEUS ou à escolha de indivíduos para algum ofício especial. O aspecto de nosso interesse principal aqui, no entanto, é a escolha de certas pessoas para serem filhos espirituais de DEUS e, portanto, para receberem a vida eterna. Uma prova bíblica de que DEUS selecionou certos indivíduos para a vida eterna. Uma prova bíblica de que DEUS selecionou certos indivíduos para a salvação encontra-se em Efésios 1.4,5: “[ O Pai] nos escolheu, nele [Jesus Cristo], antes da fundação do mundo, para sermos santos e irrepreensíveis perante ele; e em amor nos predestinou para ele, para a adoção de filhos, por meio de Jesus Cristo, segundo o beneplácito de sua vontade”. Jesus indicou que a iniciativa fora sua na seleção dos discípulos para a vida eterna: “Não fostes vós que me escolhestes a mim: pelo contrário, eu vos escolhi a vós outros e vos designei para que vades e deis frutos, e o vosso fruto ermaneça” (Jo 15.16). Além disso, todos os que são dados a Jesus pelo Pai irão a ele: “Todo aquele que o pai me dá, esse virá a mim: e o que vem a mim, de modo nenhum o lançarei fora” (Jo 6.37).

A interpretação de que a escolha ou a seleção que DEUS faz de certas pessoas para a salvação é absoluta ou incondicional está em harmonia com os atos de DEUS em outros contextos, tais como sua escolha da nação de Israel, que ocorreu pela seleção de Jacó e a rejeição de Esaú. Em Romanos 9, Paulo argumenta com vigor que todas essas escolhas pertencem totalmente a DEUS e não dependem, de modo algum, das pessoas escolhidas. Tendo citado a declaração de DEUS a Moisés em Êxodo 33.19, “Terei misericórdia de quem me aprouver Ter misericórdia e compadecer-me-ei de quem me aprouver Ter compaixão”, Paulo comenta: “Assim pois, não depende de quem quer ou de quem corre, mas de usar DEUS a sua misericórdia” (Rm 9.15,16).

Já vimos várias características da eleição conforme entendem os calvinistas. Uma é que a eleição é uma expressão da vontade soberana ou do beneplácito de DEUS. Ela não se baseia em algum mérito do eleito. Também não se baseia na previsão de que a pessoa virá a crer. É a causa, não resultado, da fé. A Segunda é que a eleição é eficaz. Os que foram escolhidos por DEUS com certeza virão a crer nele e, também, perseverarão nessa fé até o fim. Todos os eleitos serão com certeza salvos. A terceira é que a eleição foi feita desde a eternidade. Não é uma decisão tomada em algum ponto do tempo em que o indivíduo já existe. Trata-se do que DEUS sempre se propôs fazer. A Quarta é que a eleição é incondicional. Ela não exige que os seres humanos realizem atos específicos ou preencham certas condições ou ordens de DEUS. Não é que DEUS deseja salvar as pessoas, caso façam algumas coisas. Ele simplesmente deseja salvá-las e o faz. Por fim a eleição é imutável. DEUS não muda de idéia. A eleição vem desde as eternidade e brota da misericórdia infinita de DEUS; ele não tem motivos nem ocasião para mudar de idéia.

Em sua maioria, os calvinistas alegam que a eleição é incoerente com o livre arbítrio, ou seja, segundo entendem o termo. Negam, entretanto, que os homens tenham livre arbítrio no sentido arminiano. O que os calvinistas destacam é que o pecado retirou, se não a liberdade, pelo menos a capacidade de exercer devidamente a liberdade. Loraine Boettner, por exemplo, compara a humanidade decaída a uma ave de asa quebrada. A ave é “livre” para voar, mas não é capaz de fazê-lo. Da mesma forma, “o homem natural é livre para chegar a DEUS, mas não é capaz de fazê-lo. Como pode se arrepender do pecado se ama o pecado? Como pode chegar a DEUS se odeia a DEUS? Essa é a incapacidade da vontade sob a qual luta o homem”. É apenas quando DEUS chega em sua graça especial aos que escolheu, que eles são capazes de atender.

Uma área em que há variações entre os calvinistas é o conceito de reprovação. Alguns sustentam a dupla predestinação, a crença de que DEUS escolhe alguns para a salvação e outros para a perdição. Outros dizem que DEUS na realidade escolhe os que receberão a vida eterna e passa ao largo dos outros, deixando-os nos pecados que eles mesmos escolhem. O efeito é o mesmo em ambos os casos, mas a segunda concepção atribui a perdição dos não eleitos à sua própria escolha do pecado, não a uma decisão ativa de DEUS ou a uma escolha divina por omissão, em vez de comissão.

O arminianismo
Arminianismo é um termo que cobre grande número de subposições. Ele cobre desde as concepções evangélica do próprio Armínio até o liberalismo de esquerda. O Arminianismo também inclui o catolicismo romano convencional com ênfase na necessidade de obras no processo de salvação. Na maior parte dos casos, vamos considerar a forma mais conservadora ou evangélica do arminianismo, mas vamos construí-la de modo suficientemente amplo que comporte a posição de quase todos os arminianos.

Embora as formações da concepção arminiana contenha certo grau de variação, existe um ponto de partida lógico: o conceito de que DEUS deseja que todos sejam salvos. Os arminianos destacam certas afirmações das Escrituras. Que DEUS não se compraz com a morte do pecador se evidencia na afirmação de Pedro: “Não retarda o Senhor a sua promessa, como alguns a julgam demorada; pelo contrário, ele é longânimo para convosco, não querendo que nenhum pereça, senão que todos cheguem ao arrependimento” (2Pe 3.9). Paulo ecoa um sentimento semelhante: “DEUS, nosso salvador, [...] deseja que todos os homens sejam salvos e cheguem ao pleno conhecimento da verdade” (1Tm 2.3,4 veja tb. Ez 33.11; At 17.30,31).

Não é apenas em declarações didáticas, mas no caráter universal de muitos dos mandamentos e exortações de DEUS que vemos seu desejo de que toda a raça humana seja salva. O Antigo Testamento contém convites universais; por exemplo:” Ah! Todos vós, os que tendes sede, vinde às águas; vós, os que não tendes dinheiro, vinde, comprai e comei” (Is.55.1). O convite de Jesus era semelhantemente irrestrito: “Vinde a mim, todos os que estais cansados e sobrecarregados, e eu vos aliviarei” (Mt. 11.28). Se, ao contrário do que esses versículos parecem implicar, DEUS não tem intenção de salvar todas as pessoas, deve estar sendo insincero em sua oferta.

A Segunda concepção importante do arminianismo é que todas as pessoas são capazes de crer ou de preencher as condições para serem salvas. Não fosse assim, os convites universais à salvação não teria sentido. Mas será que a teologia comporta o conceito de que todas as pessoas são capazes de crer? Comporta, se modificarmos ou eliminarmos a idéia da depravação total dos pecados. Ou, como John Wesley ou outros, podemos adotar o conceito da “graça preveniente”. É esta posição posterior que ocupará nossa atenção aqui.

Conforme se costuma compreender, a graça preveniente é a graça dada por DEUS a todas as pessoas, indiscriminadamente. Ela é vista no fato de DEUS enviar sol e a chuva sobre todos. É também a base de toda a bondade encontrada nas pessoas em todos os lugares. Além disso, ela é dada universalmente para contra-atacar o efeito do pecado. Já que DEUS deu essa graça a todos, todos são capazes de aceitar a oferta da salvação: por conseguinte, não há necessidade de nenhuma aplicação especial da graça de DEUS a indivíduos em particular.

O terceiro conceito básico é o lugar da presciência na eleição das pessoas para a salvação. Em sua maioria, os arminianos desejam conservar o termo eleição e a idéia de que os indivíduos são preordenados para a salvação. Isso significa que DEUS deve preferir algumas pessoas a outra. Na concepção arminiana, ele escolhe algumas para que recebam a salvação, enquanto apenas passa ao largo das outras. Os que são predestinados por DEUS são os que, por seu infinito conhecimento, consegue prever que aceitarão a oferta da salvação feita por Jesus Cristo. Essa concepção é baseada na estreia relação apresentada pelas Escrituras entre a presciência e a preordenação ou predestinação. A passagem básica a que se recorre é Romanos 8.29: “Portanto aos que de antemão conheceu, também predestinou para serem conformes à imagem de seu Filho, a fim de que ele seja o primogênito entre muitos irmãos”. Um texto de apoio é 1Pedro 1.1.2, em que Pedro dirige-se aos “eleitos, segundo a presciência de DEUS pai”. Ambas as referências dão a entender que a preordenação é baseada na presciência e dela resulta.

Por fim, os arminianos levantam objeções contra a concepção calvinista de que a predestinação seja incondicional ou absoluta. Algumas delas são práticas e não teóricas quando à natureza. Muitas delas reduzem-se à natureza. Muitas delas reduzem-se à idéia de que o calvinismo é fatalista. Se DEUS determinou tudo que irá ocorrer, aquilo que os homens fazem realmente provocam alguma diferença? O comportamento ético torna-se irrelevante. Se somos eleitos, tem alguma importância a maneira pela qual vivemos? Seremos salvos independentemente de nossas ações.

Outra objeção é que o calvinismo nega todo e qualquer impulso missionário ou evangelístico. Se DEUS já escolheu quem será salvo e o número deles não pode ser aumentado, por que pregar o evangelho? Os eleitos serão salvos de todo jeito, e aquele número exato de escolhidos, nem um a mais nem a menos, virá a Cristo. Portanto, por que se preocupar em levantar fundos, enviar missionários, pregar o evangelho ou orar pelos perdidos? Tais atividades são, com certeza, exercícios vãos.

A última objeção é que a doutrina calvinista é uma contradição da liberdade humana. Os pensamentos que temos, as escolhas que fazemos e as ações que realizamos não são de fato nossos. Não são livres, mas causados por uma força externa, a saber, DEUS. E, portanto, não somos de fato humanos no sentido tradicional da palavra. Somos autômatos, robôs ou máquinas. Isso, porém, contradiz tudo o que sabemos sobre nós mesmos e a maneira pela qual também vemos os outros. Não há motivo para DEUS nos elogiar por termos feito o bem ou nos censurar por termos feito o mal, pois não podíamos fazer diferente.

Uma proposta de solução
Agora precisamos tentar chegar a algumas conclusões sobre essa questão intrincada dos decretos de DEUS com respeito à salvação. Note que não estamos lidando aqui com toda a questão dos decretos de DEUS em geral. Em outras palavras, não estamos considerando se DEUS torna certos todos os eventos que ocorrem em todos os tempos e em todo o universo. Estamos interessados apenas em discutir se alguns são destacados por DEUS para serem receptores especiais de sua graça.

Começamos com uma análise dos dados bíblicos. As Escrituras falam da eleição em vários sentidos diferentes. Eleição às vezes refere-se à escolha que DEUS faz de Israel como seu povo especial, sob seu favor. Ocasionalmente, indica a seleção de indivíduos para posições especiais de privilégio e serviço e, claro, a seleção para a salvação. Em razão dos vários significados de eleição, qualquer tentativa de limitar nossa discussão a apenas um deles resultará, inevitavelmente, no truncamento do tópico.

Antes de investigar o ensino bíblico de que DEUS escolheu especialmente a alguns para que tenham vida eterna, é importante considerar o retrato pungente que a Bíblia faz do homem: perdido, cego e incapaz, em seu estado natural, de responder com fé à oportunidade de salvação. Em Romanos, em especial no capítulo 3, Paulo retrata a raça humana desesperadamente separada de DEUS por causa do pecado. Os homens são incapazes de fazer alguma coisa para se desvencilhar dessa condição e, aliás, sendo bem cegos quanto à sua situação, não têm sequer o desejo de fazê-lo. Os calvinistas e os arminianos conservadores concordam nesse ponto. Não é apenas que os homens em seu estado natural não conseguem fazer boas obras do tipo que possam justificá-los diante de DEUS. Além disso, somos afligidos pela cegueira espiritual (Rm 1.18-23; 2Co 4.3,4) e pela insensibilidade.

Por essa razão, segue-se que ninguém atenderia ao apelo do evangelho sem uma ação especial de DEUS. É neste ponto que muitos arminianos, reconhecendo a incapacidade humana conforme ensinada na Escritura, introduzem o conceito de graça preveniente, que teria efeito universal, anulando os resultados noéticos do pecado, tornando, então, possível a fé. O problema é que não há nenhuma base clara adequada na Escritura para esse conceito de capacitação universal. A teoria, embora atraente em muitos aspectos, simplesmente não é ensinada de forma explícita na Bíblia.

Voltamos à questão de por que alguns crêem, encontramos uma coleção impressionante de textos que dão a entender que DEUS selecionou alguns para a salvação e que nossa resposta à oferta da salvação depende dessa decisão e iniciativa anteriores de DEUS. Por exemplo, ligado à explicação de Jesus de que falava por meio de parábolas de modo que alguns ouvissem mas não entendessem, observamos que ele continua, dizendo aos discípulos: “Bem-aventurados, porém, os vossos olhos, porque vêem; e os vossos ouvidos, porque ouvem” (Mt. 13.16). Pode-se entender, com isso, que eles não eram tão incapazes, no aspecto espiritual, quanto os outros ouvintes. Mas podemos captar melhor o que se implica aqui observando Mateus 16. Jesus havia perguntado Aos discípulos sobre o que as pessoas diziam a respeito dele, e eles havia citado várias opiniões – João Batista, Elias, Jeremias ou um dos profetas (v.14). Pedro, porém, confessou: “Tu és o Cristo, o Filho do Deus Vivo” (v.16). O comentário de Jesus é instrutivo: “Bem-aventurado és, Simão Barjonas, porque não foi carne e sangue que to revelaram, mas meu Pai, que está nos céus” (v.17). Foi uma ação especial de DEUS que fez a diferença entre os discípulos e os espiritualmente cegos e surdos. Isso está de acordo com as afirmações de Jesus: Ninguém pode vir a mim se o Pai, que me enviou, não o trouxer” (Jo 6.44) e “Não fostes vós que me escolhestes a mim, pelo contrário, eu vos escolhi a vós outros” (Jo 15.16). Jesus também nos diz que essa condução e escolha são eficazes: “Todo aquele que o Pai me dá, esse virá a mim; e o que vem a mim, de modo nenhum o lançarei fora”(Jo.637). “Todo aquele que da parte do Pai tem ouvido e aprendido, esse vem a mim” (v.45). O conceito de que Lucas nos diz que quando os gentios de Antioquia da Psídia ouviram da salvação, “regozijavam-se e glorificavam a palavra do Senhor, e creram todos os que havia sido destinados para a vida eterna” (At. 13.48).

Além disso, o argumento arminiano de que a preordenação de DEUS é baseada em sua presciência não é persuasivo, pois a palavra hebraica yãda, que parece estar por trás das referências à “presciência” em Romanos 8.29 e 1pedro 1.1,2, significa mais que um conhecimento prévio. Ela carrega a conotação de um relacionamento muito positivo e íntimo. Insinua uma demonstração de favor ou de amor a alguém, sendo usada até mesmo para relações sexuais. O que se tem em vista, portanto, não é um conhecimento prévio neutro daquilo que alguém fará, mas uma escolha ativa daquela pessoa. Contra esse fundo hebraico, parece provável que as referências à predestinação em Romanos e 1 Pedro estão apresentando a presciência não como base da predestinação, mas como sua confirmação.

Mas que dizer das ofertas universais da salvação e dos convites gerais aos ouvintes para que creiam? Os arminianos às vezes alegam que, pelos argumentos calvinistas, alguém pode resolver aceitar a salvação, mas ser impedido de se salvar. Mas de acordo com o entendimento calvinista, essa cena nunca ocorre, pois ninguém é capaz de desejar ser salvo, chegar a DEUS e crer, sem uma capacitação especial. DEUS oferece sinceramente a salvação a todos, mas todos nós estamos tão estabelecidos em nossos pecados, que não atendemos, a menos que sejamos assistidos.

Existe liberdade real em uma situação dessas? Aqui retemos o leitor à nossa discussão geral sobre a liberdade humana em relação ao plano de DEUS (cap.12). Também precisamos notar, entretanto, que agora estamos lidando especificamente com a capacidade espiritual ou a liberdade de escolha com respeito á questão crucial da salvação. E aqui a consideração principal é a depravação. Se, como alegamos, os homens no estado irregenerado são totalmente incapazes de corresponder à graça de DEUS, não se discute se eles são livres para aceitar a oferta da salvação – ninguém é! Antes, a pergunta é: alguém que receba um chamado especial tem liberdade para rejeitar a graça oferecida? A posição tomada aqui não é de que os chamados sejam obrigados a atender, mas que DEUS, torna tão atraente a oferta, que eles desejam responder afirmativamente.

Implicações da predestinação
Corretamente compreendida, a doutrina da predestinação tem algumas implicações significativas:

  1. Podemos Ter confiança de que aquilo que foi decidido por DEUS ocorrerá. Seu plano será cumprido e os eleitos chegarão à fé.
  2. Não precisamos nos criticar quando alguns rejeitam a CRISTO. Jesus mesmo não ganhou todos os ouvintes. Ele compreendia que todos os que o Pai lhe havia dado viriam a ele (Jo 6.37) e que apenas aqueles viriam (v.44). Depois de fazermos o melhor, podemos confiar a questão ao Senhor.
  3. A predestinação não anula o incentivo para a evangelização e as missões. Não sabemos quem são os eleitos e os não eleitos, portanto, precisamos continuar a divulgar a Palavra. Nossos esforços evangelístico são os meios que DEUS usa para levar a salvação aos eleitos. A ordenação de DEUS para o fim também inclui a ordenação dos meios para atingir tal fim. O
    conhecimento de que as missões são o meio de DEUS é uma forte motivação para o empenho e nos dá confiança de que será bem-sucedido.
  4. A graça é absolutamente necessária. Embora os arminianos dêem, muitas vezes, grande ênfase à graça, em nosso esquema calvinista não há base para DEUS escolher alguém para a vida eterna, a não ser sua vontade soberana. Não há nada no indivíduo que persuada a DEUS a garantia a garantir sua salvação.

BIBLIOGRAFIA:
Introdução à Teologia Sistemática. Erickson, Millard J. Trad. Luci Yamakami. Ed. Vida Nova – São Paulo. 1ª edição 1997. Reimpressões 1998,1999.

Obs. O conteúdo acima é uma cópia sem citações bibliográficas do cap. 32 do livro acima.

A fórmula que Einsten não descobriu

O que eu prego, então, não é novidade; nenhuma nova doutrina. Adoro proclamar essas fortes e antigas doutrinas, que são chamadas pelo nome de Calvinismo, mas aquelas que são realmente e seguramente a verdadeira revelação de Deus como ele é em Cristo Jesus. Por essa verdade eu faço uma peregrinação ao passado, e vejo, pai após pai, confessor após confessor, mártir após mártir, em pé para me cumprimentar. Fosse eu um Pelagiano, ou um que acreditasse na doutrina do livre-arbítrio, e eu teria que andar por séculos totalmente só. Aqui ou acolá um herético de nenhum caráter poderia surgir e me chamar de irmão.
C.H.Spurgeon


Os inimigos do calvinismo apregoam que, “ninguém consegue ler cinco páginas nas Institutas de Calvino sem ver o nome de Agostinho. Calvino cita Agostinho mais de quatrocentas vezes nas Institutas apenas. Ele chamou Agostinho por títulos como “homem santo” e “pai santo.” O próprio Calvino até declarou: “Agostinho está tão inteiramente comigo, que se eu quisesse escrever uma confissão de minha fé, eu poderia fazer com toda integridade e satisfação a mim mesmo de seus escritos.” De fato, Calvino encerra sua introdução para a última edição de suas Institutas com uma citação de Agostinho. “ Sim, e daí? O que diremos de um arminiano ou de Armínio? Provavelmente irá chamar Pelágio de pai!
Raniere Maciel Menezes

"Deixem Deus ser Deus": A Predestinação de Acordo com Martinho Lutero - Timothy George

O problema da predestinação é levantado pela especificidade da tradição judeu-cristã: o fato de que Deus revelou-se exclusivamente num povo, Israel, e supremamente num homem, Jesus de Nazaré. Jesus, assim como Paulo, falou dos “eleitos” e dos “poucos escolhidos”. A tensão entre a livre eleição de Deus e a resposta humana genuína está presente já nos documentos do Novo Testamento. Entretanto, Agostinho, em sua luta clássica com Pelágio, foi quem primeiramente desenvolveu uma doutrina madura da predestinação.

Para Pelágio, a salvação era uma recompensa, o resultado das boas obras livremente realizadas pelos seres humanos. A graça não era algo diferente ou além da natureza, nem acima dela; a graça estava presente dentro da própria natureza. Em outras palavras, a graça era simplesmente a capacidade natural, que todos possuem, de fazer a coisa certa, de obedecer aos mandamentos e assim obter a salvação. Agostinho, por outro lado, via um grande abismo entre a natureza, em seu estado caído, e a graça. Profundamente cônscio da impotência total de sua própria vontade em escoher corretamente. Agostinho entendia a salvação como a livre e surpreendente dadivda de Deus: “Atribuo à tua graça e misericórdia, porque dissolveste meus pecados como se fossem gelo”. Se, entretanto, a fonte de nossa conversão a Deus reside não em nós mesmos, mas somente no bom prazer de Deus, por que alguns reagem positivamente ao Evangelho, enquanto outros o desprezam? Essa pergunta levou Agostinho à discussão paulina da eleição, exposta em Romanos 9-11. Aqui ele encontra a base para sua própria doutrina “cruel” da predestinação: da massa da humanidade decaída, Deus escolhe alguns para a vida eterna e omite outros que estão, assim, destinados à destruição, e tal decisão é feita independentemente de obras ou méritos humanos.

Durante os mil anos transcorridos entre Agostinho e Lutero, a principal corrente da teologia medieval dedicou-se a dissolver o severo predestinacionismo daquele. É verdade que Pelágio fora condenado no Concílio de Éfeso (431), e o semipelagianismo, a saber, a visão de que ao menos o inicio da fé, o primeiro voltar-se para Deus, era resultado do livre-arbítrio, foi rejeitado pelo II Concílio de Orange (529). Contudo, a maioria dos teólogos, tentou modificar a doutrina de Agostinho, enfraquecendo a base da predestinação. Alexandre de Hales recorreu ao principio da eqüidade divina: “Deus relaciona-se de igual para igual com todos”. Outros afirmavam que a predestinação era subordinada ao conhecimento prévio, ou seja, Deus elege aqueles que sabe com antecedência que receberão méritos de seu próprio livre-arbítrio. Nenhuma dessas teorias da salvação era “puramente” pelagiana, porque todas requeriam a assistência da graça divina. Ainda assim, o fator crucial continuava sendo a decisão humana de responder positivamente a Deus, em lugar da livre e desacorrentada decisão de Deus de escolher quem desejasse.

Vimos como a doutrina da justificação sustentada por Lutero rompeu decisivamente com o modelo agostiniano de distribuição progressiva da graça. Somos justificados não porque Deus nos está tornando gradualmente justos, mas porque fomos declarados justos com base no sacrifício expiatório de Cristo. Contudo, a partir do princípio anterior da sola gratia , Lutero – e Zuínglio e Calvino depois dele – permanece firme com Agostinho contra os “pelagianos” posteriores que exaltam o livre-arbítrio humano à custa da livre graça de Deus. Nesse aspecto, a linha principal da Reforma Protestante pode ser vista como uma “aguda agostinianização do cristianismo”. Alguns historiadores consideram a doutrina da predestinação de Lutero uma aberração de seus temas principais ou, na melhor das hipóteses, “um pensamento meramente auxiliar”. Mas Lutero via o assunto de maneira diferente. Respondendo ao ataque de Erasmo a essa doutrina, Lutero elogiou o humanista por não aborrecê-lo com questões insignificantes como o papado, o purgatório ou as indulgências. “Apenas você”, ele disse, “atacou a questão verdadeira, isso é, a questão inicial [...] Apenas você percebeu o eixo ao redor do qual tudo gira, e apontou para o alvo vital.”

Uma das queixas de Lutero contra os “teólogos-porcos” era a tese deles de que a vontade humana, em sua própria volição, poderia realmente amar a Deus todas as coisas, ou que, ao fazer seu melhor, mesmo à parte da graça, alguém poderia obter certa permanência perante Deus. A essa avaliação otimista do potencial humano, Lutero opôs um duro contraste entre natureza e graça. “A graça coloca a Deus no lugar no lugar de tudo o mais que ela vê, e o prefere a si mesma, mas a natureza coloca a si mesma no lugar de tudo, e mesmo no lugar de Deus, e busca apenas o que lhe é próprio e não o que é de Deus”. Como “natureza” Lutero não queria dizer simplesmente o reino criado, mas sim o reino criado decaído e particularmente, a vontade humana decaída, que esta “curvada sobre si mesma” ( incurvatus in se ), “escravizada” e manchada com o mal em todas as suas ações. Na Disputa de Heidelberg, em 1518, Lutero defendeu a tese: “Depois da queda, o livre-arbítrio existe apenas nominalmente, e, enquanto, alguém ´faz o que está em si´, está cometendo um pecado mortal”. Inclui-se essa formulação na bula Exsurge Domine , pela qual o Papa Leão X excomungou Lutero, em 1520.

Então, será que Lutero era um determinista absoluto? Erasmo e alguns estudiosos pensavam assim. Lutero, de fato, aproximou-se perigosamente de linguagem necessitariana. Todavia, ele nunca negou que o livre-arbítrio mantém seu poder em assuntos que não se relacionam com a salvação. Assim, Lutero disse a Erasmo: “Sem dúvida você está certo em conferir ao homem algum tipo de livre-arbítrio, mas imputar-lhe um arbítrio que seja livre nas coisas de Deus é demais”. Lutero admitiu abertamente que mesmo uma vontade escravizada “não é um nada”, que, com respeito àquelas coisas “inferiores” a ela, a vontade mantém seu poder total. É apenas com respeito àquilo que é “superior” a ela que a vontade é mantida presa em seus pecados e não pode escolher o bem de acordo com Deus. Aqui, encontramos um paralelo ao desprezo de Lutero para com a razão. Em sua esfera legítima, a razão é o mais elevado dom de Deus, mas no momento em que excede para a teologia, torna-se a “prostituta do diabo”. O mesmo se dá com o livre-arbítrio. Entendido como a capacidade vinda de Deus para tomar decisões ordinárias, para cumprir as responsabilidades no mundo, o livre-arbítrio permanece intacto. O que ele não pode fazer é realizar a própria salvação. Nesse sentido, o livre-arbítrio está totalmente corrompido pelo pecado e cativo a Satanás.

Lutero descreveu a natureza dessa escravidão sob o aspecto de uma luta entre Deus e Satanás.

Assim, a vontade é como um animal entre dois cavaleiros. Se Deus o monta, ele quer ir e vai aonde Deus quer. [...] Se Satanás o monta, ele quer ir e vai aonde Satanás quer; ele não pode escolher correr para um deles ou seguir a um deles, mas os próprios cavaleiros brigam pela posse e controle dele.

Mesmo tendo alguns estudiosos encontrado traços de um dualismo maniqueísta nessa metáfora, Lutero estava meramente desenvolvendo uma imagem já apresentada por Jesus: “...todo o que comete pecado é escravo do pecado” e “Vós sois do diabo, que é vosso pai, e quereis satisfazer-lhe aos desejos...” (Jo 8.34,44). Há outro ponto que Lutero desenvolveu com respeito à vontade escravizada. Embora nosso destino eterno, em certo sentido, seja determinado por Deus, não somos com isso compelidos a pecar. Pecamos espontânea e voluntariamente. Continuamos querendo e desejando fazer o mal, a despeito do fato de que em nossas próprias forcas não podemos fazer nada para alterar essa condição. Essa é tragédia da existência humana se a graça: estamos tão curvados sobre nós mesmos que, pensando estar livres, entregamo-nos exatamente àquelas coisas que apenas aumentam nossa escravidão.

O propósito da graça é libertar-nos da ilusão da liberdade, que é na verdade escravidão, e guiar-nos para a “gloriosa liberdade dos filhos de Deus”. Só quando a vontaade recebeu a graca, ou, para usar sua outra metáfora, só quando Satanás é vencido por um cavaleiro mais forte, “é que o poder da decisão torna-se realmente livre, em todos os aspectos concernentes à salvação”. A verdadeira intenção por trás do reforço de Lutero à vontade escravizada mostra-se óbvia agora. Deus deseja que possamos ser verdadeiramente livres em nosso amor para com ele; contudo, isso não é possível até que sejamos libertos de nosso cativeiro a Satanás e ao ego. O eco de resposta à escravidão da vontade é a liberdade do cristão .

Visto que, fora da graça, o homem não possui nem uma razão sã, nem uma vontade boa, “a única preparacao infalível para a graça [...] é a eleição eterna e a predestinação de Deus”. Lutero não se esquivou de uma doutrina de predestinação absoluta e dupla, ainda que admitisse que “isso é um vinho muito forte e comida substancial para os fortes”. Ele até restringiu o alcance da expiação aos eleitos: “Cristo não morreu por todos absolutamente”. Contra a objecao de que tal visão transformava Deus num ogro arbitrário, Lutero respondeu – como Paulo – “Deus assim o quer, e porque ele o quer, isso não é perverso”. A “prudencia da carne” diz que “é cruel e miseravel Deus buscar sua glória em minha maldade. Ouça a voz da carne! ´Meu, minha´, diz ela! Lance fora esse ´meu´ e diga, em lugar disso ´Glória a ti, Snhor´, e você será salvo”. A postura da razão é sempre de egocentrismo. Deus é apenas tão “injusto”, falando estritamente, ao justificar os ímpios à parte de seus méritos, quanto o é ao rejeitar outros à parte de seus deméritos. Ainda assim, ninguém reclama da primeira “injustiça”, porque o interesse pessoal está em jogo! Em ambos os casos, Deus é injusto pelos padrões humanos, mas justo e verdadeiro pelos seus. Lutero recusou-se a submeter Deus ao tribunal da justiça humana como se a “Majestade, que é o criador de todas as coisas, tivesse de curvar-se a uma das escórias de sua criação”. “Deixem Deus ser bom”, clamava Erasmo, o moralista. “Deixem Deus ser Deus”, replicava Lutero, o teólogo.

Embora Lutero nunca tenha suavizado sua doutrina da predestinação (como fizeram posteriormente os luteranos), ele de fato tentou estabelecer o mistério no contexto da eternidade. Lutero nunca admitiu que os inescrutáveis julgamentos de Deus eram realmente injustos, mas sim que somos incapazes de apreender o quanto são justos. Há, segundo ele, três luzes – a luz da natureza, a luz da graça e a luz da glória. Pela luz da graça, tornamo-nos capazes de entender muitos problemas que pareciam insolúveis pela luz da natureza. Mesmo assim, na luz da glória, os retos julgamentos de Deus – incompreensíveis para nós agora, mesmo pela luz da graça – serão abertamente manifestos. Lutero, então, apelava para a reivindicação escatológica da decisão de Deus na eleição. A resposta ao enigma da predestinação encontra-se no caráter oculto de Deus, por trás e alem de sua revelação. No final, quando tivermos prosseguido através das “luzes” da natureza e da graça para a luz da glória, o “Deus escondido” se mostrará um só como o Deus que está revelado em Jesus Cristo e proclamado no Evangelho. Nesse ínterim, Lutero admitiu, podemos apenas acreditar nisso. A predestinação, como a justificação, é também sola fide.

Ninguém conhecia melhor do que Lutero a angústia que o duvidar da própria eleição podia provocar numa alma vacilante. Como um pastor poderia responder a alguém que estivesse atormentado por esse problema? Lutero deu duas respostas a essa questão, uma para o cristão forte, a outra para o mais fraco ou para o novo convertido. A mais alta posição entre os eleitos pertence àqueles que “se conformam com o inferno se Deus o deseja”. A resignação com o inferno era tema popular na tradição mística e significava passividade absoluta, um total deixar-se perder ( Gelassenheit ) ante o abismo do ser de Deus. Lutero dizia que Deus dispensava esse dom aos eleitos de maneira breve e escassa, quase sempre na hora da morte.

Mais, comumente Lutero era chamado a aconselhar cristãos comuns que estavam atormentados pela questão da eleição. O conselho básico de Lutero era: “Agradeça a Deus por seus tormentos!”. É característico dos eleitos, não dos réprobos, tremer em face dos desígnios ocultos de Deus. Além disso, ele instava por uma completa refutação do diabo e uma contemplação de Cristo. Foi típica sua resposta a Bárbara Lisskirchen, que estava aflita sentindo não se encontrar entre os eleitos:

“Quando tais pensamentos a assaltam, você deve aprender a perguntar a si mesma: “Por favor, em que mandamento está escrito que eu deva pensar sobre esse assunto e lidar com ele?”. Quando parecer que não há tal mandamento, aprenda a dizer: “Saia daqui, maldito diabo! Você está tentando fazer com que eu me preocupe comigo mesma. Meu Deus declara em todos os lugares que eu devo deixá-lo tomar conta de mim [...]”. A mais sublime de todas as ordens de Deus é esta, que mantenhamos diante de nossos olhos a imagem de seu Filho querido, nosso Senhor Jesus Cristo. Todos os dias ele deve ser nosso excelente espelho, no qual contemplamos o quanto Deus nos ama e quão bem, em sua infinita bondade, ele cuidou de nós ao dar seu Filho amado por nós. Desse modo, eu digo, e de nenhum outro, um homem aprende a lidar adequadamente com a questão da predestinação. Será evidente que você crê em Cristo. Se você crê, então será chamada. E, se é chamada, então muito certamente está predestinada. Não deix que esse espelho e trono de graça seja quebrado diante de seus olhos [...] Contemple o Cristo dado por nós. Então, se Deus desejar, você se sentirá melhor”.

A doutrina da predestinação defendida por Lutero não era motivada por interesses especulativos ou metafísicos. Era uma janela para a vontade graciosa de Deus, que se ligou livremente à humanidade em Jesus Cristo. A predestinação, como a natureza do próprio Deus, só pode ser atingida mediante a cruz, mediante as “feridas de Jesus”, às quais Staupitz havia dirigido o jovem Lutero em suas primeiras batalhas.


Fonte: GEORGE, Timothy. Teologia dos Reformadores. 1ª Edição. São Paulo, Edições Vida Nova, 1999. pp. 74-80.

DVD Daniel Mastral - ex-satanista - Seminário de Batalha Espiritual - Nível 1 – A Reconstrução dos Muros.

Pautado no livro de Josué, vamos conhecer as características de um Guerreiro, que levou toda uma geração a conquista de uma promessa.
Como conquistar Autoridade Espiritual, e como aplica-la na conquista das promessas de Deus em nossas vidas. Vamos sondar o inimigo, e desvendar suas principais armadilhas. Como o cenário Global está sendo preparado para a vinda do anticristo? Mensagens subliminares, Nova Ordem Mundial, Controle de massas etc.
E como a Igreja pode oferecer a verdadeira resistência contra as astutas ciladas do diabo? Aborda princípios Bíblicos que serão as pedras de reconstrução de nossas vidas em Cristo.

Este é um dos melhores vídeos que já assisti.
Tipo de Arquivo: RMVB
Tamanho do arquivo: 730 MB
Duração: 3h e 44 min

DVD Daniel Mastral - ex-satanista - Seminário de Batalha Espiritual - Nível 2 - Restauração do Altar

Com base no livro de Esdras, este módulo irá aprofundar nos conceitos e estratégias do adversário. Estudaremos a história do diabo e sua influência na história. Como ele desenvolveu, ao longo dos séculos, o engano, e como este engodo é aplicado em nossos dias. Os paradigmas e paradoxos que o inimigo plantou ao longo dos séculos para ser aceito pelo homem como deus. Dimensões paralelas, os templos pagãos e sua curiosa arquitetura.Vamos conhecer um pouco das civilizações antigas, seus ritos, suas crenças, seus mistérios. Vamos visitar os Acádios, Sumérios, Persas, Babilônios, povos da antiga Mesopotâmia. Conheceremos mais a fundo o Egito e suas influências espirituais. Saberemos mais sobre as pirâmides, os Zigurates, os Megálitos, os Círculos Ingleses, os Druidas, etc. Como a magia negra se aperfeiçoou na historia e como ela influencia vidas nos nossos dias. A proposta central é mais uma vez conhecer para guerrear. Porem desta vez de forma mais acentuada. Com os muros já reconstruídos, precisamos restaurar o Altar, os púlpitos! Um verdadeiro exercito de Deus esta se levantando, como um coro de muitas vozes que estão preparando a volta de Jesus o Cristo! Conheceremos bases Bíblicas para oferecer resistência a satanás, para fechar brechas, para nos preparar para a verdadeira Batalha Espiritual!

Tipo de Arquivo: RMVB
Tamanho do arquivo: 790 MB
Duração: 4h

Livro: História Eclesiástica

OS PRIMEIROS QUATRO SÉCULOS DA IGREJA CRISTÃ
A História Eclesiástica de Eusébio é uma surpreendente síntese dos três séculos que se seguiram à era apostólica. Procurou o autor, através de copiosa e idônea documentação, reconstituir a história da Igreja desde o ministério terreno de Nosso Senhor Jesus Cristo até ao Concílio de Nicéia em 325 d.C.
É o mais importante relato da Igreja Cristã depois de Atos dos Apóstolos. Sem a História Eclesiástica de Eusébio seria praticamente impossível reconstituir os três primeiros séculos da Igreja Cristã. É o maior clássico da história da Igreja!

Livro: O Novo Comentário da Bíblia

Este Comentário foi produzido para satisfazer uma exigência generalizada entre estudantes sérios da Bíblia, os quais desejavam um tratamento novo e atualizado do texto que combinasse fé irrestrita em sua inspiração divina, em sua fidelidade histórica essencial e em sua positiva utilidade cristã com uma erudição sã e cuidadosa.
A atenção foi orientada principalmente para o entendimento do texto conforme existente em nossas versões comuns da Bíblia. Conseqüentemente, e por preferência deliberada, tem sido sentido ser desnecessário devotar qualquer extensão considerável de espaço à análise das fontes, ao criticismo arbitrário e às teorias especulativas que de tal modo dominam muitas publicações.
Igualmente não tem sido o alvo dos editores produzir um volume que contenha extensivas anotações devocionais ou homiléticas. As Santas Escrituras possuem um modo todo especial de aplicar sua própria mensagem aos corações e às consciências dos homens, quando apropriadamente compreendidas.
Comenta cada livro, capítulo por capítulo, acompanhado de textos gerais sobre autoridade das Escrituras, sobre a história de Israel e sobre a cronologia dos eventos da Bíblia.
Abrangendo em um único volume os 66 livros que compõem a revelação escrita de Deus, especialistas de grande renome e reconhecimento internacional dão-nos a segurança de uma empreitada hermenêutica que reconhece a autoridade da Bíblia como palavra inspirada e digna de crédito.
Entre as dezenas de comentaristas do texto sagrado aqui reunidos encontram-se os nomes como:
F. F. Bruce
G. W. Bromiley
C. R. Beasley-Murray
J. I. Packer
E. J. Yong
Francis Davidson
e outros
Que nos garantem o bom sucesso em nossos esforços por interpretar a Bíblia e conhecer a mente de seu Autor.

Related Posts with Thumbnails